Miguel de Oliveira

Um robô verde com asas

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Praia de betão  

Sinto a brisa do mar e encontro no chão, onde passou a sombra de uma gaivota, seguro numa das rugas daquela praia de betão, um botão brilhante, talvez de um casaco de senhora. No meu caderno de folhas A3 grossas, das que a malta de artes usa para coleccionar esboços, esboço também como julgo ser suposto esboçar. Faço um busto de alguém que não sei se existe, e cabeças de cavalo. Umas mais bonitas que outras, pela força de qualquer coisa que se nota nos traços, mas todas imperfeitas. Eu sei que deviam ser cavalos, e não há mais ninguém na praia. Com os joelhos doridos daquele piso rugoso, pouso as folhas, e nelas a minha cabeça. Deixo uma onda molhar-nos e algumas folhas partem com ela quando levanto a cabeça. Acho que alguém me viu aqui.

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Written by Miguel

Setembro 4th, 2008 at 7:32 pm

Talvez a sombra esteja avariada  

Faz algum tempo que não sinto o tempo passar. Não sei onde estive, mas dá-me a sensação de que a dada altura me deixaram sozinho no meio de uma multidão. Não me recordo de nada em concreto, e já nem sei se isso quer dizer o quer que seja. O que sinto não traz nada que identifique a sua origem. É um sentimento perdido e confuso como eu, e não sei o que lhe dizer.

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Written by Miguel

Setembro 2nd, 2008 at 1:39 pm

Foi muita coisa  

Há muito que não escrevo aqui no blog, tenho andado ocupado a terminar o meu curso (ouve-se bocas tipo: foda-se, finalmente). É uma pressão fodida, e quem me atura em época de exames sabe como fico alterado nesses 2 ou 3 meses.

Mas adiante.

Tenho ouvido muito Foge Foge Bandido. As letras do Manel são poesia. Para além de FFBB também me deu para ouvir música electronica da cena francesa (presumo que se possa referir desta forma), como Justice e compilações Kitsuné Maison por exemplo, para desenjoar. Mas isso não interessa.

Ontem fui ver o “The Dark Knight“, ou “Batman - O Cavalheiro“. Já tinha gostado muito do que o Christopher Nolan fez com o “Batman Begins” e, tal como qualquer pessoa que não viva numa caverna ou debaixo de uma pedra, também testemunhei a histeria colectiva em antecipação ao “TDK”- Apesar de isso me ter deixado com as expectativas bem lá em cima e esperar um filme sem antecedentes, substimei. O filme é muito mais do que esperava. Saí do cinema como não me lembro de ter saído: de barriga cheia (e não era só de pipocas e coca-cola). Quer dizer, o “Blade Runner” também me consolou, mas isso é diferente. Apesar de enorme (150min) o filme ainda podia ter mais meia horinha, na boa.

A performance do Heath Ledger é fabulosa. O Joker é uma personagem impossível de antecipar, tanto no sentido de prever o que será antes de ver o filme como durante o próprio filme. Durante todo o filme a personagem vai mostrando que não podes achar que o conheces ou que podes prever o próximo passo dele, e isto é transmitido logo desde o início com uma apresentação genial da personagem, e de seguida a apresentação que dele aos criminosos, por exemplo.

Gostava de ter mais adjectivos de crítico de cinema na manga para transmitir o quão bem feito o filme está. É o filme do ano (agora só antecipo o WALL-E, mas são coisas diferentes), e certamente o melhor filme de super-heróis de sempre. Desengane-se aquele que antecipa um “Spider-Man“. Não há comparação. Isto nem pode ser considerado um filme de super-heróis… é muito mais intrigante do que isso.

Algumas imagens a seguir ao “ler mais”.
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Written by Miguel

Julho 25th, 2008 at 10:45 pm