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Praia de betão
Sinto a brisa do mar e encontro no chão, onde passou a sombra de uma gaivota, seguro numa das rugas daquela praia de betão, um botão brilhante, talvez de um casaco de senhora. No meu caderno de folhas A3 grossas, das que a malta de artes usa para coleccionar esboços, esboço também como julgo ser suposto esboçar. Faço um busto de alguém que não sei se existe, e cabeças de cavalo. Umas mais bonitas que outras, pela força de qualquer coisa que se nota nos traços, mas todas imperfeitas. Eu sei que deviam ser cavalos, e não há mais ninguém na praia. Com os joelhos doridos daquele piso rugoso, pouso as folhas, e nelas a minha cabeça. Deixo uma onda molhar-nos e algumas folhas partem com ela quando levanto a cabeça. Acho que alguém me viu aqui.
Talvez a sombra esteja avariada
Faz algum tempo que não sinto o tempo passar. Não sei onde estive, mas dá-me a sensação de que a dada altura me deixaram sozinho no meio de uma multidão. Não me recordo de nada em concreto, e já nem sei se isso quer dizer o quer que seja. O que sinto não traz nada que identifique a sua origem. É um sentimento perdido e confuso como eu, e não sei o que lhe dizer.
Vou começar
Vou começar pelo início, deixando de fora as coisas que já tentei dizer em inícios anteriores mas por alguma razão me arrependi apenas porque não eram a melhor introdução - e eu tenho sempre expectativas altas quando abro um novo blog. Ficam então rasuradas grandes porções de texto nesse bloco de notas imaginário misturadas com porções de texto não rasuradas que aproveito e por vezes se estendem por cima de palavras que achei melhor substituir por outras, naquele espaço entre a palavra velha e a linha de cima.
Se calhar é por isto que eu volto sempre ao início, mais tarde ou mais cedo.




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