Archive for the ‘Textos’ Category
Praia de betão
Sinto a brisa do mar e encontro no chão, onde passou a sombra de uma gaivota, seguro numa das rugas daquela praia de betão, um botão brilhante, talvez de um casaco de senhora. No meu caderno de folhas A3 grossas, das que a malta de artes usa para coleccionar esboços, esboço também como julgo ser suposto esboçar. Faço um busto de alguém que não sei se existe, e cabeças de cavalo. Umas mais bonitas que outras, pela força de qualquer coisa que se nota nos traços, mas todas imperfeitas. Eu sei que deviam ser cavalos, e não há mais ninguém na praia. Com os joelhos doridos daquele piso rugoso, pouso as folhas, e nelas a minha cabeça. Deixo uma onda molhar-nos e algumas folhas partem com ela quando levanto a cabeça. Acho que alguém me viu aqui.
Talvez a sombra esteja avariada
Faz algum tempo que não sinto o tempo passar. Não sei onde estive, mas dá-me a sensação de que a dada altura me deixaram sozinho no meio de uma multidão. Não me recordo de nada em concreto, e já nem sei se isso quer dizer o quer que seja. O que sinto não traz nada que identifique a sua origem. É um sentimento perdido e confuso como eu, e não sei o que lhe dizer.
Estudante universitário não ouve (boa) música
Os meus anos de estudante ensinaram-me que o estudante universitário não tem qualquer cultura musical e que as únicas músicas necessárias para o divertir seja numa festa de faculdade ou na queima são a do calimero e músicas pimbas aleatórias. Pelo menos é assim que a malta organizadora de festas/cartazes de queima/barracas de queima parece pensar. Nem interessa qual o artista pimba, basta que seja pimba. O pessoal vai-se rir a noite toda e as noites todas com aquelas músicas do Marco Paulo, de certeza… Por mais que se faça uso disto em festas, o estudante universitário jamais se cansará. Foda-se.
Vou começar
Vou começar pelo início, deixando de fora as coisas que já tentei dizer em inícios anteriores mas por alguma razão me arrependi apenas porque não eram a melhor introdução - e eu tenho sempre expectativas altas quando abro um novo blog. Ficam então rasuradas grandes porções de texto nesse bloco de notas imaginário misturadas com porções de texto não rasuradas que aproveito e por vezes se estendem por cima de palavras que achei melhor substituir por outras, naquele espaço entre a palavra velha e a linha de cima.
Se calhar é por isto que eu volto sempre ao início, mais tarde ou mais cedo.




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