Praia de betão
Sinto a brisa do mar e encontro no chão, onde passou a sombra de uma gaivota, seguro numa das rugas daquela praia de betão, um botão brilhante, talvez de um casaco de senhora. No meu caderno de folhas A3 grossas, das que a malta de artes usa para coleccionar esboços, esboço também como julgo ser suposto esboçar. Faço um busto de alguém que não sei se existe, e cabeças de cavalo. Umas mais bonitas que outras, pela força de qualquer coisa que se nota nos traços, mas todas imperfeitas. Eu sei que deviam ser cavalos, e não há mais ninguém na praia. Com os joelhos doridos daquele piso rugoso, pouso as folhas, e nelas a minha cabeça. Deixo uma onda molhar-nos e algumas folhas partem com ela quando levanto a cabeça. Acho que alguém me viu aqui.




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