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	<title>Comentários em: Aniversário de Fernando António Nogueira Pessoa</title>
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	<description>Um robô verde com asas</description>
	<pubDate>Wed, 07 Jan 2009 02:07:41 +0000</pubDate>
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		<title>Por: inês, a anónima</title>
		<link>http://migueldeoliveira.com/2008/06/13/aniversario-de-fernando-antonio-nogueira-pessoa/#comment-16</link>
		<dc:creator>inês, a anónima</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 23:45:42 +0000</pubDate>
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		<description>No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais       copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, 
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,<br />
Eu era feliz e ninguém estava morto.<br />
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,<br />
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.</p>
<p>No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,<br />
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,<br />
De ser inteligente para entre a família,<br />
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.<br />
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.<br />
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.</p>
<p>Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,<br />
O que fui de coração e parentesco.<br />
O que fui de serões de meia-província,<br />
O que fui de amarem-me e eu ser menino,<br />
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui&#8230;<br />
A que distância!&#8230;<br />
(Nem o acho&#8230;)<br />
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!</p>
<p>O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,<br />
Pondo grelado nas paredes&#8230;<br />
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas<br />
lágrimas),<br />
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,<br />
É terem morrido todos,<br />
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio&#8230;</p>
<p>No tempo em que festejavam o dia dos meus anos&#8230;<br />
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!<br />
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,<br />
Por uma viagem metafísica e carnal,<br />
Com uma dualidade de eu para mim&#8230;<br />
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!</p>
<p>Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui&#8230;<br />
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais       copos,<br />
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,<br />
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,<br />
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos&#8230;</p>
<p>Pára, meu coração!<br />
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!<br />
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!<br />
Hoje já não faço anos.<br />
Duro.<br />
Somam-se-me dias.<br />
Serei velho quando o for.<br />
Mais nada.<br />
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!&#8230;</p>
<p>O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!&#8230;</p>
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